Existe uma citação bastante antiga que diz que depois da tempestade vem a bonança, e a ideia que ela nos transmite é a de que, absolutamente, tudo passa. Já há algumas semanas, dependendo de quão rápido fomos para assimilar a gravidade da crise, estamos trabalhando na proteção de nosso negócio. Mas e o depois? Qual é o momento de olhar para frente, de planejar a cadeia de valor para o tempo de bonança?

Em qualquer crise e, em especial, como a inédita (nos tempos modernos, claro) pandemia do Coronavírus (COVID-19), a proteção é a primeira etapa a ter nosso foco. Agora é a hora de agir, ou seja, responder à crise. Nossas ações estão focadas em proteger as pessoas (colaboradores, parceiros, clientes etc) e as necessidades imediatas do negócio. Entender quão severa poderá ser a desaceleração e quanto tempo perdurará a crise são alguns dos desafios dos gestores nos tempos atuais. Não vamos entrar nesta questão, pois há diversos analistas debatendo o tempo e forma da retomada do crescimento pós COVID-19.

E o futuro? Bom, como gestores temos que preparar nosso negócio para a fase de recuperação. Para tanto, há algumas questões que precisamos pesquisar e debater com a nossa equipe, como por exemplo, estimar:

  • Quão rápida a demanda retornará?
  • Haverá demanda de recuperação única?
  • Como essa recuperação irá variar no portfólio (geografia, segmentos, canais, proposições etc.)?
  • Quais podem ser as restrições operacionais, tanto da cadeia de suprimentos, quanto dos canais, para atender a essa demanda?

No entanto, temos que nos lembrar que esta crise não é igual as outras que muitos empreendedores experientes já vivenciaram. Há, por exemplo, diversos estudos especulando que os hábitos de consumo devem mudar na era pós coronavírus. Isso fará que muitos negócios tenham que se reinventar. E agora? Bom, precisamos também nos questionar:

  • Como o mundo pós-pandemia pode parecer diferente do que imaginávamos anteriormente?
  • Que tendências existentes serão aceleradas? Quais novas precisam ser contemplados? Quais são agora obsoletas?
  • Como essas tendências podem mudar os limites dos negócios, os lucros e as regras do setor?
  • Quais são os cenários de longo prazo para os quais devemos nos preparar?
  • Como adapto proposições, capacidades e maneiras de trabalhar?
  • O que poderia ser um trampolim para os próximos 3-6 meses?
  • Quais são as possíveis disrupções a serem consideradas?

Note que a tarefa de planejar a retomada não é nada fácil, pois precisamos entender como estas mudanças de comportamento de consumo irão impactar o nosso segmento de mercado.

Outro aspecto extremamente importante para o planejamento de futuro é entender a resiliência da nossa cadeia de suprimentos. A gestão do fluxo de materiais entre diferentes geografias, elos da cadeia e os riscos da quebra de fornecimento terão cada vez mais relevância em qualquer planejamento de supply chain (SCM). O que está ficando cada vez mais claro é que será preciso acelerar tendências, como a de dar preferência por ofertas locais, independência produtiva em alguns segmentos estratégicos e a digitalização da cadeia, buscando maior visibilidade e controle.

A preocupação nesta nova era, no entanto, também se estenderá aos fornecedores (e seus fornecedores), além de clientes e parceiros. A resiliência deles também será importante, pois agora fica mais claro que o sucesso do nosso negócio depende muito do sucesso da cadeia como um todo. De nada adianta eu ter uma empresa saudável financeiramente se a matéria prima não chega (fornecedor quebrou) ou se meus canais de venda não conseguem vender. Lembrando que é muito provável que o consumidor final optará em adquirir produtos de cadeias sustentáveis e cada vez mais transparentes.

Por fim, os desafios são muitos e estão postos. Lidar com o agora (proteção) é importantíssimo, mas quem não se planejar direito, quando a tempestade passar, poderá não apreciar a beleza da bonança.

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