É inegável que o Desenvolvimento Sustentável (DS) esteja na moda. Seja pela expressão em si ou pelo conceito. Utilizada pela primeira vez no Relatório Brundtland, intitulado “Nosso Futuro Comum” de 1987, tinha como principal premissa:

“O desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades.”

Desde então, o conceito vem sendo aprimorado, popularizado e atualizado. Um dos aspectos fundamentais era o tal do “tripé da sustentabilidade”. Que consiste no jargão mais popular: “Socialmente justo, Ecologicamente correto e Economicamente viável”.

Um ponto bastante importante que deve ser esclarecido é que o tripé da factibilidade do desenvolvimento sustentável precisa ser equilibrado. Em teoria, não há como sustentar uma sociedade em uma plataforma de desenvolvimento desnivelada. Como uma prateleira, uma hora alguma coisa vai cair.

Assim, muito se fala em preservar e conservar a natureza, proteger as populações locais e enaltecer suas respectivas culturas. Mas, pouco se fala em oportunidades de negócios. Aparentemente, a viabilidade econômica não é tratada com a mesma paixão que os outros eixos. A título de exemplo: Unidades de Conservação (UC). Durante muitos anos foi a principal ferramenta para “garantir o desenvolvimento sustentável”, focado na conservação e preservação das florestas e na manutenção da cultura de povos tradicionais, especialmente na Amazônia.

Para exemplificar, consideremos o estado do Amazonas. O maior estado do União (1,5 milhão de km²), com a maior cobertura de florestas tropicais naturais preservadas (aprox. 90%). No Amazonas, existem mais de 100 (cem) UC’s, que somam mais de 50% do território. Paralelamente, o IDH do Amazonas é o 16° (de um total de 27), o desmatamento no estado aumentou em 36% de no período de 2018/19 e mesmo assim, o setor Agro contribui com pouco mais de 6,6% do PIB do estado em 2018.

Essa realidade é um tanto paradoxal. Especialmente quando analisamos a região em si. A floresta amazônica possui pelo menos 3 mil espécies de plantas, entre árvores e plântulas. Sendo que centenas possuem propriedades de alto valor econômico, como cupuaçu, açaí e copaíba. Os desafios são enormes. Grande parte destes produtos não possuem uma cadeia produtiva consolidada ou mesmo estabelecida.

Assim, um dos desafios é colocar essas “commodities” no mercado comum. Para isso, é fundamental a segurança, confiança e transparência entre os elos da cadeia produtiva. Informações de origem e processos produtivos podem assegurar a confiança do consumidor e viabilizar a real sustentabilidade da iniciativa. É aqui que a tecnologia entra. Ampliar e melhorar a comunicação entre os atores do mercado pode alavancar uma economia. Facilitar e garantir a “due diligence” dos processos, reduzirá a desconfiança e o custo de “manejo do risco”.

Quem sabe, por meio de tecnologias como o blockchain, seja possível responder algumas perguntas, entre elas: o que impede o desenvolvimento sustentável da região?! Por que numa região tão rica, não há tantos ricos?! O tripé da sustentabilidade é realmente viável ou uma bela ideia utópica?!