De um modo geral, o consumidor sempre busca a melhor opção pelo menor valor. Esta é uma realidade que mais precisa ser aceita que compreendida. O setor florestal não difere muito e os principais consumidores de madeira dura tropical amazônica estão sempre em busca de madeiras de alta qualidade, pelo menor preço possível. É natural. Mas, tão importante (se não mais) que o preço dos produtos, é a recorrência e regularidade de fornecimento da matéria prima. Fatores essenciais para qualquer planejamento empresarial.

No entanto, é preciso distinguir: melhor valor de valor irreal. Aqui, iremos atribuir o conceito de “valor irreal” à madeira de origem duvidosa ou ilegal. Mas antes, é necessário fazer algumas observações prévias, para compreender a relação da madeira com a ilegalidade.

Planos de Manejo Florestal Sustentável (PMFS) são as ferramentas legais para exploração de madeira na Amazônia. São projetos técnicos, que sustentam a exploração racional dos recursos madeireiros de uma determinada região. Os PMFS são considerados pelos especialistas como a melhor alternativa de valorização e valoração da floresta em pé, ao mesmo tempo, curiosamente, o principal símbolo do desmatamento é, justamente, um caminhão com toras de madeira. De todo modo, PMFS são submetidos aos órgãos ambientais estaduais e federal que, por sua vez, avaliam a viabilidade técnica do projeto e, após vistorias in loco, são licenciados e liberados para operação. Este processo todo é dispendioso e demorado, atributos indesejáveis para qualquer empreendedor.

A alternativa é contar com a sorte e explorar a madeira a revelia OU fraudar o processo de licenciamento. O Mercado, reconhecendo a fragilidade do sistema como um todo, criou uma safety net para continuar consumindo madeira dura tropical com a consciência tranquila: certificações. Estas são ainda mais criteriosas, mais dispendiosas e, por que não, mais demoradas. Criando um ambiente praticamente inacessível para pequenos produtores (“limitações orçamentárias” é o fator principal). Estas certificações, como mostram alguns noticiários, não são exatamente o “paladino” que o Mercado esperava que fosse. Assim, mais importante que certificada, a madeira precisa ter (de fato) sua origem e a conformidade de produção garantidas. Estas garantias, devem ser responsabilidades dos próprios produtores.

Agora, vamos à questão do “por que a madeira Legal é mais legal?”. O primeiro ponto é compreender que o “preço” da madeira legal, será inevitavelmente, superior à ilegal. Razões óbvias: ilegal não paga imposto, não recolhe encargos trabalhistas, não investe e não se importa com o processo produtivo (se é sustentável ou não). No entanto, o ditado popular “é um barato que sai caro” se aplica muito bem à essa ótica. A produção ilegal não garante a regularidade ou, tão pouco, a qualidade mínima do produto. Assim, é comum analisar os dados socioeconômicos da região amazônica e verificar um efeito sanfona nos números relacionados à madeira. Enquanto isso, outros setores só crescem e prosperam.

Incentivar, apoiar e, principalmente, consumir apenas madeira (ou qualquer outro produto) legal é investir na viabilidade de um modelo econômico sustentável. Aquele produtor que investe, busca retorno recorrente. O retorno recorrente viabiliza a manutenção de negócios e seus colaboradores, que invariavelmente são regionais. Contrário da nova onda de empregabilidade digital, onde um colaborador basta ter acesso à internet que pode trabalhar de qualquer lugar (em casa, num coffee shop ou numa lan house), necessita de pessoas in loco.

Assim, priorizar madeira legal significa: garantir a preservação da floresta amazônica em pé, o desenvolvimento sustentável regional e a melhoria de qualidade de vida das populações locais. Desse modo, sempre prefira madeira legal, com origem conhecida, garantias de conformidade e uma cadeia produtiva responsável.

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